quarta-feira, 8 de setembro de 2010

clichê

andei pensando a respeito do que seria um clichê- do francês cliché- e lembrei de uma frase do meu tio que disse que que nada se cria, tudo se copia. Penso que as definições de cliché que vi são erradas. O uso da palavra devria ser aplicado a qualquer matéria prima que pode ser usada para criação- tudo é cliché. Salomão já dizia "não há nada de novo debaixo do sol." o esperar a última volta, o fim, é a única coisa que deve ser valorizada numa criação- assim como a reação diferente diante do cliché. O que define a criação. Como seria miserável se fosse como todos os homens diante da matéria-prima. Não. O material não é cliché. A reação o é.
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contando as ovelhas para dormir.
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quando nascem as ovelhas, no mar do verdume,
onde pascem as ovelhas que no gelo do cume,
vem o sol sobre a lua, derrotando-a com amor.
as estrelas de acordo, desconfiam com ciúme
que a derrota traz a cor do calor e do bolor.
as ruas negras da noite, nos pastos não há.
nas dores do dia, o queimar da pele clara
que se fere pelo sol, pelo amor que virá
só no próximo amanhecer, diz estrela rara.
só amor para nascer. Só para morrer.
Não no viver, pois só se arrasta em perecer.
varre o céu com poder, mas nunca ama os que ilumina.
só traz o calor que os fulmina.
Assim é com as ovelhas que pascem.
morrem em parte, correm em arte. Pintadas pelos prados.
antes que os anjos as lacem,
comem o verde e azul que lhes sobra em vida ao luar dos
anjos em miríades que correm nos prados escuros.
antes verdes, antes negros, ferem os lados fazendo-os impuros.
E como luos, brancos e moldados, cedem ao amor,
que só faz nascer e morrer. Nunca permanecer.
E renascer.

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